Ir direto para menu de acessibilidade.
Página inicial > Notícias > Notícias em Destaques > Abril Indígena 2026 II
Início do conteúdo da página
Publicado: Segunda, 27 de Abril de 2026, 16h10 | Última atualização em Segunda, 27 de Abril de 2026, 17h06 | Acessos: 14

Abril Indígena promove o intercâmbio e fortalece o compartilhamento de saberes no Campus Poços de Caldas

4M0A9522No dia 22 de abril, o auditório do IFSULDEMINAS - Campus Poços de Caldas foi palco do Abril Indígena, uma iniciativa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI)  voltada à valorização, visibilidade e fortalecimento das culturas dos povos originários. A programação reuniu representantes da comunidade Ibiramã Kiriri do Acré, localizada em Caldas (MG), e a advogada indígena Maíra Pankararu, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)

A abertura ocorreu com uma feira de artesanato indígena, promovendo o contato direto do público com expressões culturais e saberes tradicionais. Em seguida, foi exibido o documentário “Kiriri do Rio Verde”, que retrata a trajetória da comunidade na busca por território, dignidade e melhores condições de vida. A produção evidencia não apenas a luta da comunidade, mas também o apoio da população local de Caldas, que se mobilizou em defesa dos direitos indígenas.

O documentário também destaca os conhecimentos ancestrais relacionados à natureza e ao território, transmitidos entre gerações e fundamentais para a preservação ambiental e o bem-estar coletivo. Outro ponto relevante foi a importância da educação como instrumento de resistência e equidade, evidenciada pela criação de uma escola indígena que integra saberes tradicionais ao currículo formal.

Em seguida foi realizada uma roda de conversa com lideranças jovens da comunidade indígena e com Maíra Pankararu, proporcionando um espaço de diálogo aberto com estudantes, servidores e o público em geral. O momento foi marcado pelo interesse dos participantes em compreender as formas de organização, resistência cultural e atuação política dos povos originários na contemporaneidade.

4M0A0126Durante sua fala, Maíra Pankararu trouxe reflexões sobre memória, justiça e os desafios enfrentados pelos povos indígenas, abordando criticamente o debate em torno do chamado Marco Temporal,  tese jurídica que limita o direito à demarcação de terras indígenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988. A discussão ressaltou os impactos históricos das remoções forçadas e a importância de garantir os direitos territoriais de forma justa para os povos indígenas.

Outro aspecto que despertou grande interesse foi o modelo educacional da aldeia, que articula a chamada “aldeia-escola” ou “escola-aldeia”. Nesse formato, são ensinadas tanto disciplinas do currículo convencional quanto conteúdos específicos, como os saberes indígenas. Destaca-se também o ensino do Tupi como língua materna, com o objetivo de preservar identidades culturais e evitar o desaparecimento de tradições linguísticas. Embora o português seja a língua oficial do país, a valorização das línguas originárias é compreendida como essencial para a manutenção dos saberes dos povos indígenas.

Na sequência da programação, o público acompanhou a apresentação cultural do Toré, manifestação tradicional que expressa espiritualidade, identidade e resistência dos povos indígenas, proporcionando uma vivência simbólica e coletiva da cultura originária.

4M0A0377Encerrando o evento, foi realizada a mesa-redonda “Sem memória não há justiça: narrativas, reparação e futuro dos povos indígenas”, conduzida por Maíra Pankararu. Durante a roda de conversa e nas reflexões trazidas ao longo do evento, a advogada indígena destacou a importância de escutar com responsabilidade as pessoas que foram historicamente perseguidas pela Ditadura Militar. Segundo ela, é necessário entender o que aconteceu nesse momento da história brasileira e criar uma comissão para investigar os crimes cometidos por militares aos povos indígenas. Para Maíra, essa comissão “tem os objetivos de investigar, de reparar, de identificar responsáveis, produzir memórias e propor políticas. E não é só investigar, na verdade a gente está tentando reconstruir, recontar a história brasileira a partir do olhar de quem estava esquecido”.

O evento reafirmou seu papel como um espaço essencial de diálogo, escuta e aprendizado coletivo, aproximando a comunidade acadêmica das realidades, saberes e lutas dos povos indígenas. Teve também como principal objetivo a valorização das culturas originárias, o reconhecimento de seus direitos e a conscientização sobre sua importância histórica. Ao incentivar o intercâmbio de conhecimentos e experiências, a iniciativa contribui para a construção de uma sociedade mais justa, plural e comprometida com o respeito à diversidade cultural e à preservação dos saberes ancestrais.

Confira as fotos do evento.

Fim do conteúdo da página