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Publicado: Sexta, 29 de Maio de 2020, 19h15 | Última atualização em Segunda, 29 de Junho de 2020, 15h07 | Acessos: 2212

Novo estudo do IF mostra os riscos da interiorização da COVID-19 no Sul de Minas

12Uma nova pesquisa do Grupo de Estudos em Planejamento Territorial e Ambiental do IFSULDEMINAS (GEPLAN) divulgada nesta sexta-feira, dia 29/05, mostra o avanço da COVID-19 pelo interior de Minas Gerais e os possíveis impactos da pandemia na região Sul do Estado. O estudo, que compreende um conjunto de 13 mapas, três tabelas e dois infográficos, fornece informações sobre: o atual cenário da COVID-19 nos estados de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, demonstrando sua distribuição nas quatro últimas semanas epidemiológicas; a situação dos casos no Estado de Minas Gerais correlacionados com a taxa de envelhecimento da população; a difusão da COVID-19 em Minas Gerais e no Sul de Minas desde o primeiro caso registrado no Estado; o mapeamento sobre a busca de serviços médicos hospitalares de baixa, média e alta complexidade para o Sul de Minas; e o comparativo de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) nas cinco cidades mais contaminadas na região nos anos de 2019 e 2020.

Entre outras conclusões, a pesquisa apontou que houve aumento nos casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves no Sul do Estado, o que pode evidenciar subnotificação sobre a COVID-19, e que os pacientes da região, nos casos mais graves, precisam se deslocar por grandes distâncias para garantirem atendimento especializado. “O atual estágio da pesquisa mostra que deve ser dada especial atenção aos espaços interioranos, uma vez que a difusão da pandemia tende, no atual momento, a se disseminar das metrópoles para as cidades pequenas e médias. Esses municípios são, em geral, aqueles em que a população encontra grandes dificuldades de deslocamento para serviços de saúde, o que também tende a ser um caso de agravamento, uma vez que as medidas de retenção do contágio são aquelas que dizem respeito, principalmente, ao isolamento social. Ou seja, a não circulação de pessoas” declarou o coordenador do GEPLAN, o Prof. Dr. Sérgio Henrique de Oliveira Teixeira. Para conferir o estudo na íntegra, clique aqui.

Busca por serviços médicos

Um dos novos mapas produzidos pelo GEPLAN enfoca como anda a busca de serviços médicos hospitalares de baixa, média e alta complexidade no Sul de Minas Gerais. O levantamento constata que são poucas as cidades em que os quase 3 milhões de habitantes da região buscam para seus serviços de saúde. Os centros urbanos de porte médio, como Poços de Caldas, Varginha, Pouso Alegre, Passos, Itajubá e Alfenas, exercem influência direta nos centros urbanos de menor porte, pois são cidades que comportam diversas infraestruturas de serviços especializados. As cidades de Varginha e Pouso Alegre ocupam as mais altas posições de procura por serviços de alta, média e baixa complexidade. Poços de Caldas, Alfenas, Passos e Itajubá aparecem na sequência, também com grande procura.

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Para ver o mapa acima em tamanho maior, clique aqui.

O estudo ressaltou que, para buscar atendimento especializado de alta complexidade, os pacientes precisam se deslocar ou serem deslocados por grandes distâncias. É o caso de pacientes de Pedralva/MG, Paraisópolis/MG e Bom Repouso/MG, que chegam a percorrer mais de 150 km, totalizando de duas a três horas de viagem, para serem atendidos em Poços de Caldas. “Os centros urbanos de porte médio estão apresentando os maiores números de infectados na região, sendo assim, o fluxo de pessoas das cidades pequenas para esses centros urbanos médios apresenta risco de contaminação para as cidades pequenas, o que agrava o movimento de interiorização da epidemia. O segundo ponto a ser considerado é que, se caso continue essa procura de serviços especializados de saúde nos centros urbanos de porte médio, os sistemas de saúde dessas cidades poderão entrar em colapso, isto é, suas infraestruturas de serviços de saúde não poderão suportar o elevado número de procura das populações da região”, alertou o Prof. Sérgio.

Síndromes Respiratórias Agudas Graves

A pesquisa do Grupo de Estudos em Planejamento Territorial e Ambiental do IFSULDEMINAS traçou também um comparativo de casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) nas cinco cidades mais contaminadas no Sul de Minas, nos anos de 2019 e 2020. Até o dia 20/05/2020, os pesquisadores do GEPLAN observaram que houve notável crescimento no número de internações e de óbitos pelas SRAGs na região, se comparado ao mesmo período do ano passado.

A comparação entre as semanas epidemiológicas dos anos de 2019 e 2020, em todo território brasileiro, mostra um aumento exponencial no número de casos de SRAG, sendo em média da ordem de 900%. Em algumas unidades federativas, estes números se tornam ainda mais expressivos. Em São Paulo, por exemplo, o aumento foi de cerca de 2.000%. Nas cidades do Sul e Sudoeste de Minas, esse crescimento chega a ser de mais de 3000%, como na cidade de Extrema/MG, que no ano passado (no período de janeiro a maio) não teve nenhuma evidência de manifestação da doença em moradores. 

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Para acessar o infográfico acima em tamanho maior, clique aqui.

A COVID-19 em MG, RJ e SP

O trabalho do GEPLAN mostra que Minas Gerais, em comparação com Rio de Janeiro e São Paulo, é o estado com menor crescimento no número de casos de COVID-19. Até o dia 23/05, 44,07% dos municípios mineiros apresentavam, pelo menos, um caso da doença, enquanto que, no Rio de Janeiro e em São Paulo, essas taxas eram de 100 e 80%, respectivamente. De acordo com o prof. Sérgio, “Enquanto no estado de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro o crescimento dos casos é constatado de forma evidente, se dando de forma rápida e intensa, no estado de Minas Gerais, sem qualquer fator atenuante que explique, essa mesma expansão não se verifica. É como se o vírus ‘poupasse’ o território mineiro, de forma a distribuir-se respeitando as delimitações fronteiriças das unidades federativas”. Para o docente, esse número menor no crescimento dos casos da doença em Minas pode ser um indício de subnotificação. A galeria de mapas a seguir mostra a evolução dos casos de COVID-19 nos estados de MG, SP e RJ nas últimas semanas epidemiológicas. Clique nos mapas para ampliá-los:

 

Os idosos e o novo coronavírus

O GEPLAN também acompanhou o avanço da COVID-19 pelo estado mineiro, relacionando a incidência da doença com o índice de envelhecimento da população. Os mapas evidenciam que o Triângulo Mineiro, a Região Metropolitana de Belo Horizonte e as porções Sul, Sudeste e Sudoeste de Minas apresentam os municípios com maior número de idosos, grupo considerado mais sensível à letalidade da COVID-19. As cidades destas mesmas regiões também apresentam o maior registro de casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus. “O considerável número de registros por COVID-19, em especial, nas regiões Sul, Sudeste e Sudoeste de Minas, pode ser explicado pelo fato de que estas regiões são mais densamente atravessadas pelas principais rodovias do estado - que detêm os maiores fluxos- as quais fazem ligações com os municípios de São Paulo e Rio de Janeiro (estados cujas capitais são os principais epicentros de COVID-19 no Brasil). Como já destacado, as cidades margeadas por tais rodovias, e que apresentam um maior índice de envelhecimento, são mais tendenciosas a maiores taxas de adoecimento da população, maiores demandas quanto ao sistema de saúde e mais propensas a perder contingentes consideráveis de suas populações”, explicou o prof. Sérgio. A galeria a seguir mostra o avanço da COVID-19 por Minas Gerais nas últimas semanas epidemiológicas e o índice de envelhecimento da população. Clique nos mapas para ampliá-los:

O caso mineiro

Especificamente sobre o aumento no número de casos de COVID-19 em Minas Gerais, tendo em vista as últimas semanas epidemiológicas, o GEPLAN afirma que o fato pode estar associado ao relaxamento das medidas de isolamento social e à demora na divulgação, por parte dos órgãos de saúde competentes, sobre os novos casos. A análise dos mapas da realidade mineira sinaliza que a contaminação vem ocorrendo das cidades maiores para as menores. Sobre esse aspecto, o prof. Sérgio mencionou que “a transmissão da COVID-19 ocorre de forma hierárquica, das cidades maiores para as menores, dos espaços mais capitalizados (com maiores ofertas de infraestruturas e serviços) para periféricos (menos equipados), visto que os primeiros casos se dão em cidades que recebem fluxos de São Paulo e Rio de Janeiro - clusters da doença no Brasil”. Os mapas a seguir destacam a difusão da COVID-19 no estado mineiro e a relação com os eixos rodoviários. Clique nos mapas para ampliá-los:

O Sul de Minas

Conforme o estudo do Instituto Federal, a região Sul/Sudoeste de Minas segue uma tendência nacional, em que os casos crescem das cidades maiores para as menores, através das principais rodovias e fronteiras entre as metrópoles e o interior. Esse movimento é observado também em relação às rodovias, onde o primeiro contágio se dá nas vias principais e segue em sentido às cidades menores, ocorrendo uma disseminação gradual do vírus no território. Até o dia 25/05, 87 cidades do Sul de Minas tiveram registros oficiais de COVID-19, o que representa cerca de 60% dos municípios da região. Pouso Alegre, Extrema, Varginha, Poços de Caldas e Boa Esperança, devido à proximidade com importantes rodovias, são as cidades com a maior quantidade de casos confirmados. Os mapas a seguir enfocam a situação da COVID-19 no Sul/Sudoeste de Minas (clique nos mapas para ampliá-los):

logo siga covid

 

SigaCOVID nas redes sociais

Com o objetivo de informar a população e os meios de comunicação sobre a situação da COVID-19 na região, o Grupo de Estudos em Planejamento Territorial e Ambiental do IFSULDEMINAS (GEPLAN) criou o SigaCOVID – Sul de Minas, uma plataforma de divulgação no Facebook e no Instagram. Para ter acesso às informações do GEPLAN nessas redes sociais, basta seguir o perfil: @sigacovid

GEPLAN na mídia

Essa nova pesquisa do GEPLAN foi destaque em notícias dos seguintes veículos de comunicação:

Período  Reportagens Veículos de Comunicação
2020
28/05/2020 Novo estudo do IF Sul de Minas mostra a difusão dos casos na região 1ª Edição do Jornal da EPTV
01/06/2020 Novo estudo mostra os riscos da interiorização da COVID-19 Mantiqueira On-Line
01/06/2020 Novo estudo do IFSULDEMINAS reforça possibilidade de subnotificação Poços Já
02/06/2020 COVID-19: novo estudo do IFSULDEMINAS TV Plan (Plantão da Tarde)
09/06/2020 Estudo mostra riscos de infecção de Covid-19 em cidades às margens da Fernão Dias 1ª Edição do Jornal da EPTV
09/06/2020 Cidades às margens da Fernão Dias apresentam aumento em casos de Covid-19 G1 Sul de Minas

Imagens e informações: Prof. Sérgio Teixeira
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Revisão: ASCOM - Poços de Caldas
www.facebook.com/ifsuldeminaspocosdecaldas
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