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Publicado: Quarta, 22 de Abril de 2020, 18h57 | Última atualização em Quarta, 29 de Abril de 2020, 15h21 | Acessos: 2054

Curso do IF sobre abelhas sem ferrão capacita mulheres em situação de vulnerabilidade. Relembre!

Promover a capacitação de mulheres para o manejo de abelhas sem ferrão e o desenvolvimento de produtos, promovendo o empreendedorismo associativo, a geração de renda, a conscientização ambiental e a autoestima. Este foi o objetivo do curso “Uso de abelhas sem ferrão como fonte de renda e transformação social”, que foi ofertado pelo IFSULDEMINAS – Campus Poços de Caldas durante o segundo semestre de 2019, como parte do Programa Institucional de Capacitação de Mulheres (IF-Mulher). Ao todo, participaram do curso cerca de 25 mulheres, com idade entre 17 e 65 anos, sendo que a maioria delas encontrava-se em situação de vulnerabilidade econômica ou social.

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No meliponário do campus, as alunas aprenderam as técnicas de manejo das abelhas sem ferrão.

Realizado entre os meses de agosto e novembro de 2019, durante as manhãs de sábado, o curso contou com diversos momentos de capacitação, que envolveram aulas teóricas e práticas sobre cosmetologia, artesanato, criação de abelhas e empreendedorismo. As alunas aprenderam a arte da encadernação japonesa, através de uma oficina ministrada pelo aluno do IFSULDEMINAS, Felippe Fiorito, que cursa Licenciatura em Ciências Biológicas no Campus Poços de Caldas. Em outra aula, a professora Isabel Ribeiro do Valle Teixeira, que foi a coordenadora do curso, falou às mulheres participantes sobre a história e vínculo das abelhas com a humanidade, ressaltando a forte ligação existente com a mulher.

Houve também a participação da ex-aluna do IF, Aline Cristina Betti, que juntamente com seu esposo, Ulisses Ferreira de Oliveira, relataram suas experiências com empreendedorismo e cooperativismo. A ex-aluna de Ciências Biológicas do Campus Poços, Larissa Santos Iatchuk, foi uma das professoras do curso, ensinando às participantes os segredos da cosmetologia à base de mel, cera e própolis.

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As participantes produziram fantoches de dedos, representando as espécies de abelhas sem ferrão.

No meliponário do Campus Poços, que é onde estão diversas colmeias de abelhas sem ferrão, as cursistas participaram das aulas de manejo de abelhas, aprendendo a fazer armadilhas com garrafas Pet e iscas atrativas com geoprópolis. Nos encontros de culinária, viram como se retira o mel para se produzir a pinga com mel e canela. De artesanato, orientadas pela professora convidada Talita Fernandes Godoy, desenvolveram dedoches (fantoches de dedos), com bonecos de todas as espécies de abelhas sem ferrão existentes no meliponário. E, com o professor Luis Claudio Marques e seus ensinamentos de marcenaria, as alunas descobriram como confeccionar e decorar caixinhas de madeira para acomodar as abelhas.

Comemorando os impactos positivos gerados pela capacitação, a coordenadora do curso, a professora Isabel Teixeira, destacou que a experiência foi uma das melhores que teve em todos os seus anos de trabalho. Isabel explicou que, utilizando a temática da meliponicultura como base, o curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) foi uma ferramenta de transformação social e de desenvolvimento do senso empreendedor feminino. A docente afirmou que as inúmeras atividades que podem ser exploradas a partir da atividade da meliponicultura foram apresentadas às alunas, de modo que as mesmas possam desenvolvê-las futuramente, gerando assim uma fonte de renda alternativa, ou mesmo se tornando sua atividade econômica principal. “O grupo de mulheres era fantástico, individualmente muito diferentes, com todos os graus de instrução, oriundas de outras cidades, de zona rural ou urbana e com diferentes personalidades, de forma que tudo se somou. Tivemos resultados muito positivos. Muitas destas mulheres já desenvolveram em suas casas, ou propriedade rural, um espaço para a meliponicultura, estão conscientes da importância das abelhas nos ecossistemas e são agentes multiplicadoras disto em suas comunidades”, afirmou.

Empreendedorismo

Um dos conceitos praticados durante o curso, junto às alunas, foi o do empreendedorismo. Através de técnicas de produção e valorização de produtos, as participantes vivenciaram a possibilidade de formação de uma marca e de uma associação, desde a escolha do nome até a idealização e finalização dos produtos. Surgiu, então, o “Melaflô”, nome mais votado dentre as propostas feitas por todas as alunas. As participantes tiveram uma aula para produzir a logomarca e formatar as etiquetas.

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Sérum, creme e desodorante à base de mel, cera e própolis são alguns produtos da "Melaflô".

Os produtos à base de mel, cera, própolis, extratos e essências foram desenvolvidos durante as aulas de cosmetologia da professora Larissa Santos Iatchuk. Entre os itens desenvolvidos, estiveram sérum, creme e desodorante de mel, cera ou própolis de jataí ou mandaçaia, com menta, hibisco ou melaleuca.

As participantes

As alunas foram selecionadas por meio de edital publicado no site do IFSULDEMINAS - Campus Poços de Caldas. Aquelas que se encontravam em situação de vulnerabilidade social ou econômica receberam, durante todo o curso, um auxílio mensal de R$ 100,00, para ajudar nas despesas com a capacitação. Do início ao fim do curso, as participantes demonstraram entusiasmo e interesse pelos conhecimentos construídos.

Édna Leite Ramos, moradora do bairro Santa Augusta em Poços de Caldas, foi uma das participantes. “Foi uma experiência incrível. Um dos melhores cursos que eu fiz nos últimos tempos. É extremamente importante, porque a preservação das abelhas é também a preservação da raça humana. Então, é preciso que a gente entenda isso, que a gente respeite a natureza e que a gente contribua com isso, criando abelhas sem ferrão e tratando essas abelhas com muito carinho, porque elas são topo de cadeia. Eu aprendi muitas coisas, como manejo das abelhas, construção das caixas, fazer cremes, pomadas. Para mim, foi um curso de grande valia e uma oportunidade única. Eu só tenho a agradecer ao Instituto Federal e à professora Isabel, que proporcionaram tudo isso para nós. É um sonho da gente trabalhar com abelha sem ferrão e também com a questão de gênero. Era um curso voltado para mulheres e isso é uma coisa que a gente precisa cada vez mais trabalhar, para que as mulheres tenham empoderamento financeiro, para que elas consigam se autossustentar e, com isso também, as mulheres rompem o ciclo de violência, muitas vezes, com os seus companheiros, quando ela tem uma oportunidade de poder existir no mundo, de fazer a diferença e ainda ter uma renda por isso. Gratidão ao curso. Foi muito bom mesmo”, disse Édna.

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Angélica Mucciarone, que foi uma das alunas, hoje tem 14 colmeias em sua casa, no Parque Pinheiros.

Para Angélica Martins Mucciarone, moradora do Parque Pinheiros, em Poços de Caldas, o curso proporcionou o contato com novas oportunidades. “Quando entrei no curso de abelhas sem ferrão, pouco conhecia sobre elas. A professora Isabel, através de seu amor e conhecimento por elas, me apresentou um mundo fascinante e muito interessante sobre as abelhas. Cada aula, cada experiência me mostrava o quanto elas têm a nos oferecer, dóceis, trabalhadoras e extremamente inteligentes. Mergulhei de cabeça e o curso me trouxe o conhecimento para continuar aprendendo e me aperfeiçoando cada dia mais. Com o conhecimento, tive a oportunidade de aplicar na prática, no sítio que temos. Estamos colhendo muitos frutos, fizemos muitas capturas e, dentre essas, tenho hoje, no jardim de casa na cidade, 14 caixas de abelhas sem ferrão da espécie Jataí, que convivem no nosso meio, desfrutando das nossas plantinhas do jardim. Elas são apaixonantes! Minha filha de 3 anos já sabe apreciá-las também. Hoje tenho vontade de, através do meu conhecimento e do que aprendi, poder apresentar a mais pessoas o mundo fascinante das abelhas sem ferrão e de como elas são importantes para a nossa sobrevivência”, falou.

De Santa Rita de Caldas, Bruna Orse Felipe frisou que a capacitação promoveu a valorização das mulheres. “O curso foi ótimo! Trabalhamos muito mais do que o conhecimento técnico. Pois, além de aprendermos sobre a vida e todo o mundo encantador das abelhas nativas, trabalhamos também a autonomia para mulheres. O que é algo tão necessário e urgente, diante de uma sociedade que ainda é bastante machista. Cada uma descobriu e reafirmou um talento, uma habilidade que a fez acreditar mais em si mesma. Isso é de tão grande potencial e liberdade, que deve-se multiplicar ao maior número possível de mulheres. É mais que um curso profissionalizante, envolve serviço social de capacitação e valorização de nós, mulheres”, finalizou.

Destaque na mídia

O curso “Uso de abelhas sem ferrão como fonte de renda e transformação social”, ofertado pelo IFSULDEMINAS – Campus Poços de Caldas, foi destaque em reportagem da TV Poços. Assista a seguir:

Confira as fotos do curso!

 

Fotos e informações: Profa. Isabel Teixeira (coordenadora do curso).
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Texto: ASCOM - Poços de Caldas
www.facebook.com/ifsuldeminaspocosdecaldas
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